A
idéia de que o nosso organismo tem a capacidade de se curar,
estimulando-o por meio de massagens, técnicas respiratórias e
exercícios físicos, é a base do método self-healing (autocura),
desenvolvido pelo ucraniano Meir Schneider. Cego de nascimento,
ele nunca se conformou com a sua condição, tentando sempre
encontrar algo que pudesse melhorar sua capacidade visual. Aos
16 anos, morando em Israel, ficou conhecendo o Método Bates de
melhora natural da visão. Meir combinou, então, essa técnica com
automassa- gem e exercícios que havia aprendido com Miriam
Izerski – praticante de autocura que foi sua mentora – e outros
terapeutas, como Moshe Feldenkrais, criador do método
Feldenkrais e autor do livro Consciência Através do Movimento.
Depois de trabalhar 18 meses consigo mesmo, diariamente, por
até 13 horas, Meir Schneider alcançou a visão funcional. Anos
mais tarde, já residindo nos Estados Unidos, sua visão havia
melhorado tanto que conseguiu tirar a carteira de motorista na
Califórnia.
Enquanto aprendia a ver, Meir descobriu que a função de uma
parte do corpo humano se relaciona profundamente com a função do
corpo todo. A partir daí, começou a trabalhar com pessoas que
sofriam de doenças graves e incapacitantes, como poliomielite,
esclerose múltipla, problemas de coluna e distrofia muscular.
Verificou, então, que os mesmos princípios que haviam
contribuído para que alcançasse a visão funcional eram eficazes
no tratamento e reabilitação do resto do corpo. Esses princípios
se tornaram a base do Método Meir Schneider-Self-Healing. Em
1976, ele passou a ministrar cursos de treinamento que evoluíram
e se consolidaram no que hoje é conhecido como Programa de
Capa-citação Praticante-Educador. Em 1984, acabou fundando a
School for Self- Healing.
O método de autocura criado por Meir Schneider procura
estimular e ampliar o movimento em cada parte do corpo,
promovendo a mobilidade onde existe rigidez e maximizando a
utilização dos sentidos. Isso porque ele acredita que muitas
doenças estão relacionadas à falta de movimento em alguma parte
do organismo, seja na musculatura ou em qualquer um dos sistemas
internos (nervoso, circulatório, endócrino, etc.). Segundo o
método, portanto, é preciso aprofundar a consciência do
movimento em todo o corpo, especialmente o movimento da
respiração.
Adquirir essa consciência é essencial, pois ela é o veículo
para se acessar as conexões corpo-mente e, conseqüentemente, os
poderes de autocura. Esse processo é considerado a ferramenta
mais importante na prevenção e cura de condições degenerativas,
pois, uma vez consciente, o indivíduo passa a ser o principal
agente de sua saúde. O próprio paciente deve aprender a
distinguir os padrões de movimento de seu corpo e conectá-lo com
suas tensões e quadros patológicos.
Como a utilização desequilibrada do organismo pode gerar
problemas, é preciso também nutrir e melhorar a função dos
sistemas do corpo. A maioria das pessoas, por exemplo, utiliza
excessivamente 50 dos 600 músculos do seu organismo e subutiliza
os demais. O resultado é tensão, má circulação sangüínea nos
músculos e esforços desequilibrados nas articulações,
acarretando problemas como dores nas costas, lesões de esforço
repetitivo e artrite.
A brasileira Beatriz Nascimento é uma entusiasta do
self-healing e uma das principais divulgadoras do método. Ela
mesma é um exemplo de que a técnica de autocura realmente
funciona, desde que a pessoa entenda como a doença se expressa
nela e quais os mecanismos físicos e mentais que dispõe para
enfrentá-la.
Assim como Meir Schneider, Beatriz pode ser considerada uma
“rebelde”, pois nunca se conformou com um diagnóstico de
distrofia muscular, que começou a se manifestar nos anos 80,
quando trabalhava como professora de terapia ocupacional na
Universidade Federal de São Carlos (SP). Trata-se de uma doença
genética que causa perda da massa muscular e dificulta os
movimentos. Beatriz procurou tratamento para o problema, mas viu
que a medicina tradicional pouco tinha a lhe oferecer. Decidiu,
então, buscar outros processos de cura, até que uma
fisioterapeuta paulista lhe falou sobre o self-healing como
sendo algo específico para o seu quadro.
Após uma breve experiência com o método, percebeu que os
resultados eram realmente efetivos e decidiu ir para os Estados
Unidos. Durante os nove meses que passou na School for
Self-Healing, em São Francisco, Beatriz Nascimento recebeu
massagens e orientações diretamente de Meir Schneider,
praticando os exercícios, diariamente, por quatro ou cinco
horas. Quando voltou ao Brasil, ela já havia recuperado parte
dos movimentos e estava com melhor tônus muscular, maior
flexibilidade e livre de dores, tropeções e mal-estares. A
melhora, segundo o próprio Meir, era de 40%.
Hoje, quem vê Beatriz Nascimento movimentando-se com tanta
segurança e desenvoltura não diz que é portadora de um mal tão
grave. Ela, no entanto, afirma não estar totalmente “curada”,
pois a doença, por ser genética, permanece latente e se
manifesta de tempos em tempos. Beatriz, porém, aprendeu a
perceber quando isso acontece e a tomar as providências para
amenizar o problema. “Eu não tomo nenhum medicamento alopático.
Ingiro apenas complexos de vitaminas, sais minerais e outros
suplementos que possam fortalecer meu sistema imunológico.
Existem outras doenças para as quais a medicina convencional
possui maneiras de atenuar o problema, mas nos casos
neurológicos ou musculares isso é muito raro”, afirma ela. Além
disso, com menos freqüência, faz também uso da acupuntura e da
homeopatia.