Artigo de Luciene Maria de Assis Santos – jornalista e escritora - que participou do evento " Encontro Multidisciplinar sobre a visão a partir da infância" realizado no Rio de Janeiro em Novembro de 2003.  lumah@directnet.com.br


No dia 1°de novembro, no auditório do IBAM, Rio de
Janeiro, aconteceu o 1o. Encontro Self-Healing do
 Brasil. Foram convidados profissionais de diferentes
 disciplinas da área da saúde para palestrar sobre a
 visão a partir da infância. Andréa Violette Intrator,
 psicóloga e presidente da Associação Brasileira de
Self- Healing, abriu o evento ressaltando seu objetivo de
 promover um encontro multidisciplinar no sentido de
aprofundar o estudo do tema, ampliando a troca de
informações e divulgando diferentes abordagens.

 Laura Rangel Batista, ortodontista funcional, falou
 sobre o papel dos olhos na formação da face humana.
 Discorreu sobre a importância da estimulação visuo-
 motora no desenvolvimento da criança, assim como as
 conseqüências de certos padrões corporais, fruto de
 tensões emocionais,no equilíbrio muscular da face.
 
 Ernani Eduardo Trotta, psicanalista da linha
Reichiana, trabalha com métodos de intervenção corporal. Para ele a visão tem papel fundamental no desenvolvimento do psiquismo humano, pois este começa a se estruturar a
 partir de imagens. Toda a compreensão que a criança
tem do mundo vem a partir da percepção visual, que
antecede até mesmo a palavra.
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Considera que conteúdos emocionais se relacionam com
as alterações corporais e visuais. Muitos problemas
visuais podem ser ocasionados por distúrbios
emocionais  e são associados a emoções contidas, depressão, dificuldade de concentração, confusão mental,
desorientação espacial, sonolência, agitação,
enxaquecas entre outros. Dr. Ernani trabalha com
fotoestimulação, terapia que vitaliza o movimento dos
olhos. Os campos problemáticos são explorados pela
luz.
 Segundo ele, os movimentos dos olhos ativam o
 hipocampo, parte do cérebro onde se encontra a memória
 declarativa.
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 Maria Fernanda Leite Ribeiro é terapeuta de Self-
 Healing, especializada em reabilitação visual. Segundo
 ela, o excesso de proteção contra a luz solar, uso
 indiscriminado do computador, passar o dia quase
 exclusivamente em ambientes fechados sob luz
 artificial, falta de horizonte e o meio estressante
em  que vivemos são fatores nocivos a uma boa visão.
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 O Self-Healing pretende oferecer recursos para
 reeducação visual, através das seguintes ferramentas:
 exercícios corporais e visuais, massagem de estímulo e
 relaxamento além de técnicas de visualização .
 
 De acordo com os princípios do Método Self-Healing de
 Meir Schneider, o relaxamento deve estar sempre
 presente no nosso dia a dia. A mudança só pode
 acontecer se criarmos uma zona de neutralidade no
 cérebro. Ajustar a visão a diferentes intensidades de
 luz, olhar pequenos detalhes, equilibrar o uso da
visão central e periférica, evitar a fixação exagerada do
olhar, tudo isso faz parte do processo de
reabilitação.  Maria Fernanda exemplificou com exercícios de
estímulo e relaxamento.

 Jorge Luiz Barreto Amorim, ortoptista, abordou o
 funcionamento do olho; sua anatomia e fisiologia. Ele
 também afirma que o uso desequilibrado dos olhos
produz uma enorme tensão visual e corporal.
 
 Dra. Ângela Donato Oliva, psicóloga especializada em
 desenvolvimento humano, enfatizou a importância de uma
 boa estimulação visual na primeira infância através de
 brincadeiras, que trazem respostas mais rápidas, além
 de calor emocional para um melhor desempenho visual no
 futuro adulto.
 
 Ana Paula Figueiredo, terapeuta ocupacional e de Self-
 Healing exemplificou o trabalho terapêutico com
 crianças através do relato de casos. Ela recomendou:
 _ “A iluminação é muito importante; uma janela próxima
 ao computador, a leitura pausada e uma respiração
 ritmada evitam o stress visual”. Completou dizendo que
 na Índia, por causa da ampla utilização da yoga, que
 lida com relaxamento corporal, respiração e
 alongamento, o índice de crianças com deficiência
 visual é pequeno.
 
  Reeducação Visual Método Self-Healing de Meir
Schneider
 
 O Self-Healing foi desenvolvido por Meir Schneider a
 partir de sua deficiência visual. Portador de catarata
 congênita, teria ficado cego pelo resto da vida, não
 fossem certos exercícios que aprendeu com um garoto de
 sua idade, aos 17 anos. Insistente, praticou os
 exercícios propostos com afinco obsessivo, a ponto de
 criar uma visão funcional, capaz de tirá-lo para
sempre da classificação “legalmente cego”, conferida pelo
Estado de Israel. Seu grande orgulho pessoal reside na
 conquista de sua carta de motorista, que exibe para
 todos com alegria quase infantil.
 
 O método parte do princípio que o cérebro mantém uma
 plasticidade ao longo da vida, capaz de modificar
 padrões estabelecidos de funcionamento corporal.
 Através de movimentos inusitados combinados com
 massagem, alongamento, respiração e visualização,
busca se o desenvolvimento da consciência corporal e a
conseqüente substituição dos padrões de tensão pelo
 relaxamento, melhorando as funções corporais e bem
 estar geral.
 
 Quem introduziu o Self-Healing no Brasil foi Beatriz
 Ambrósio do Nascimento, terapeuta ocupacional, do
 Núcleo de Pesquisa e Assistência em Self-Healing, da
 Universidade Federal de São Carlos, que vem com este
 trabalho desde 1989.
 
 A Associação Brasileira de Self-Healing existe há dois
 anos no Brasil e não tem fins lucrativos. Necessita de
 convênios com escolas e empresas para ampliar sua
 estrutura e atender a crianças carentes. A formação de
 novos terapeutas do Método Meir Schneider acontecerá
em abril de 2004.
 Maiores informações sobre a ABSH e como contribuir
 para realização deste projeto, pelo site www.self-
 healing.com.br ou selfinfo@bol.com.br

 

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